A Mercantilização da Comunidade Lésbica*

Patricia Karina Vergara
(feminista mexicana, lésbica feminista radical autônoma, gorda, indígena, mãe de uma filha)
tradução livre por hembrista@riseup.net
 SORORIDADE

 

Não é muito popular ser a “chata do rolê” que reclama sobre o consumismo na época das festas natalinas, enquanto o resto da comunidade toda está pendurando luzinhas pisca-pisca, montando a árvore de Natal e cantando musiquinhas típicas. A mesma impopularidade e incômodo com minhas interlocutoras encontro toda vez que abro a boca para problematizar a estrutura consumista em que está submergida a comunidade LGBTQetc: o modelo do antro/gueto, o embrutecimento com álcool, a sexualidade coisificada e coisificante e o abuso de drogas. Porém, minha preocupação pessoal e concreta se refere especificamente ao que me toca: as lésbicas, a restrição das nossas vivências lésbicas à logica dos bares/festas/”rolê” que vem predominando em nossa comunidade.

 

Antes de qualquer coisa, reforço aqui que eu não sou contra festas nem as detesto, nem tampouco os bares, nem as bebidas alcoólicas, nem tampouco a socialização que ocorre nesses ambientes. Mil vezes eu venho aceitando com prazer convites para uma cerveja com amigas, uma ou muitas doses, fui organizadora de festas, fui e sou frequentadora de algumas. Acredito no exercício sexual livre, sempre e quando seja responsável e consensual. Inclusive, conheço e respeito o uso de substâncias que levam a estados alterados de consciência com fins rituais, recreativos, espirituais, de busca ou simplesmente experimentais.
Reconheço – ora como não? –  a necessidade de espaços de convivência, encontro, e de celebração para esta comunidade. Porém, isso que escrevo é um chamado a nos perguntarmos, desde o fazer lésbico politizado, sobre o que está por trás das relações e organização, interação das lésbicas, sempre em torno desta forma mercantil de socialização/alienação [1]. Por exemplo, questionamos nossas relações íntimas e criticamos duramente a reprodução do modelo heterossexual onde, lamentavelmente, há quem assume o papel dominante e outra que aceita o papel de submetida e se repetem as hierarquias já conhecidas.[2] Como resposta, as lésbicas somos capazes de criticar, contribuir, e encontramos que não necessariamente temos por quê imitar tal modelo. Também podemos questionar e reconstruir as formas em que nos relacionamos como comunidade, de nos divertirmos ou dos espaços de ócio e a partir da reflexão crítica, fazer estremecer o modelo pré-fabricado, capitalista, patriarcal, que nos deram.
Podemos estabelecer, para começar, que o submergir na mercadotecnia da diversidade e da lógica de nicho mercadológico, que nos aliena, ou seja, nos distancia uma das outras e de nós mesmas e impede a busca de objetivos comuns. Nos submetemos a imposição patriarcal de valores e, em meio a este submundo, competimos para ver quem tem mais fama, beleza física, quem tem mais encontros ou conquistas sexuais, quem pegou mais minas, quem tem mais likes, quem bebe mais, quem tem melhores bens de consumo, quem tem melhor visual, quem é mais que quem…

 

Claro que isso ocorre também nos ambientes homossexuais, heterossexuais e em geral. E também valeria a pena a discussão a respeito disso. Porém, ao nos focar em falar das lésbicas, seria bom pensarmos nas oportunidades valiosas que nos estamos negando. Que aconteceria se jogássemos a cultura de imagem e a mercantilização no cesto de lixo e pudéssemos começar a nos perceber entre nós mesmas como aliadas, nos aproximar, nos convidar a refletir em conjunto, nos apreciar por nossos valores intrínsecos e quem sabe, talvez poder nos organizar em ações articuladas, por exemplo, para apoiar aquelas que foram expulsas de casa, que estão em situação de risco, para exigir justiça jurídica, apoiar àquela que precisa de nossa ajuda, criar grupos de trabalho intelectual, artístico ou político que hoje certamente em México existem apenas alguns pouquíssimos, ou simplesmente, para refletir sobre nossas existências lésbicas, celebrar, criar cultura, comunidade, preservar nossas memórias, recitar poesias, cantar, nos cuidar umas entre as outras.

 

Não se trata simplesmente de uma proposta utópica e sonhadora, senão que é um convite para começarmos a buscar opções alternativas de vida e de ação tanto política como cotidiana daquelas que nos foram dadas. O fenômeno da geração que hoje vive é o da era do desencanto. Do pessimismo, da descrença em processos coletivos ou políticos. As grandes teorias transformadoras parecem ter ficado no século passado. Idéias de transformação social são tachadas pelo sistema como coisas ultrapassadas, a militância política parece ‘careta’ demais. Parece muito distante ou impossível a promessa de uma ordem social mais justa. O Capitalismo parece ter triunfado de uma forma nunca antes vista, o monopólio de toda violência por parte do Estado e seus aparatos repressivos torna qualquer rebeldia meramente pictórica, a vigilância sobre nossas vidas reduz nossa manifestação política a expressão cidadã tímida, a revolta está cercada pelo sistema, monitorada, contida. E a política também é assimilada pela estratégia consumista e festiva, de “rolê” e subcultura urbana.

 

Para as mulheres a quem tivemos negados nossas contribuições pelos livros de história, afastadas sistematicamente do poder e despojadas de nós mesmas, o vazio é maior. E assim, respiramos diariamente o desencanto, cinismo, falta de solidariedade/sororidade umas  com as outras. De tal modo que as únicas duas premissas possíveis são as impostas desde o Poder: o valor do dinheiro como fonte de toda satisfação e o embotamento dos sentidos. O valor da imagem e do consumo.

 

Como a ordem econômica estabelecida garante que o dinheiro e suas possibilidades são inacessíveis para a maioria, então nos voltamos para a segunda premissa: apostamos à evasão contra toda e qualquer ação política, ao desprezo por qualquer militância e jogamos a não olhar, a nos conformarmos com o que há.

 

Quando a ansiedade psíquica, a insatisfação ou a solidão começam a pesar muito, uma das possíveis saídas é ir gastar 30 conto em umas cervejas e acreditar que é melhor isso que nos questionar o por quê de não haver outros espaços, outras práticas, e outros serviços, outras lógicas, talvez desde a economia sororária e de troca, feiras lésbicas autogestivas para expormos nossos trampos. Enfim, encontrar opções de lazer que não passem pelo consumo, ou inventá-los nós mesmas. Preferimos não ver a violência que nos cerca ou nos conformar com saber que sempre esteve aí, ao invés de tomar responsabilidade sobre nossas vidas e começar a fazer, a propôr, a transformar no imediato.

 

Temos que aprender a reconhecer que o poder de comprar um brinquedo sexual, ver um filme pornô, ou a possibilidade de ficar com alguém em uma festa e terminar na cama sem conhecer sequer seu nome não são reivindicações nem constituem nenhuma libertação sexual, mas sim, ao contrário, formas efetivas que os empresários encontraram para comercializar nossa sexualidade e lucrar – eles, homens brancos, patriarcas, heterossexuais muitas vezes – com nossa comunidade. [3] E que por outro lado, nos expôem a riscos como transmissão de DSTs. [4]

 

As vezes parece que o movimento lésbico tem por única demanda política que não fechem o bar onde se amontoam a juventude gay aos domingos. E na miopia dos exemplos anteriores ficamos tomando uma cervejinha enquanto decidimos quem vamos pegar hoje e ‘secamos’ o ambiente em busca da ‘caça do dia’. Assim, uma multidão de lesbianas que podiam ser forças transformadoras, se convertem em um mercado adestrado rentável pro Capital e nada mais. Onde fica o potencial rebelde, questionador, crítico, da lesbianidade?
São os negócios em geral, bares, botecos, baladas, ou a sua lógica transferida à socialização lésbica da mercantilização da diversidade sexual. Da assimilação da potência rebelde da condição política de ser lésbica. É novamente a idéia de que somos identidade/orientação/prática sexual e nada mais. Estes artifícios do sistema são meios efetivos de despolitização a serviço da ordem atual. Se fossem contestatários ou se sua existência tivesse um peso político de importância, como os empresários pretendem nos fazer acreditar, então sua existência estaria agora ameaçada [5]: esses espaços seriam perseguidos, boicotados, sabotados, caluniados, atacados e não tão facilmente existiriam em número crescente. O ‘mercado rosa‘ [6] tem um peso econômico e seu interesse político não é o da transformação. Se existisse uma mudança política, jurídica, e social, ou seja, se não houvesse heterossexismo, já não seriam necessários bares, viagens turísticas, revistas especializadas, sexshops, baladas, boates, bares. Terminada a necessidade de espaços exclusivos gays, se acaba a galinha dos ovos de ouro pros capitalistas interessados neste setor. Por isso, essas empresas são, servindo a seus próprios interesses, um meio efetivo de controle social e nada mais. A lógica de consumo importada dessas comunidades, reproduzida dentro das nossas relações lésbicas, é uma colonização capitalista e patriarcal que serve meramente como forma de amaciar nossa rebeldia, de controle da radicalidade lésbica.

 

Não se trata de censurar ninguém nem de se colocar como guardiãs da boa moral e dos bons constumes. É uma questão de pensar: quais são nossas éticas lésbicas? Uma questão de rebeldia e de sonho de novos valores, formas de nos relacionar, onde o consumismo, a redução da nossa socialização ao álcool, ao entorpecimento por meio de drogas, o consumo de corpos e a apatia política não fossem uma realidade cotidiana que passa a muitas de nós. É possível, muito possível,que seja de outra forma isso tudo. É possível espaços diferentes, rebeldes ao Capital, ao Estado, ao HeteroPatriarcado, de interação genuína entre nós em bases saudáveis e de potência criativa. Se as lésbicas somos humanas, uma vez capazes de ter rompido com a ordem da Heterossexualidade que nos foi enfiada desde pequenininhas, e nos atrevemos a amar e erotizar mulheres à nossa maneira e desde outros princípios, por que não poderíamos nos atrever a retomar para nós a responsabilidade de criar autonomamente, nós mesmas, nosso próprio espaço lúdico e de encontro, tomando ele da ordem existente que nos submete, explora, e deixando de aceitar e meramente consumir o que nos colocam?

 

Façamos um dia de ida ao campo, ao parque, com frutas e comidas veganas deliciosas feitas em casa, compartilhando, reunamos 200 lésbicas para pintar um mural, um grafitasso, que fale sobre a gente, lancemos bolas de sabão ao céu desde uma árvore nada mais que pela alegria de nos encontrar e de fazer coisas e estarmos vivas. Levemos nossas filhas e filhos a um passeio para ir retomando as consciências coletivas, construamos uma escola rural entre todas, vamos nadar, ensinemo-nos umas as outras a consertar carro, computadores,eletricidade, a andar de skate, bicicleta, e o que mais quisermos. É possível, eu acredito nisso, nos encontrarmos, construirmos, criarmos identidade desde uma história distinta à que nos foi contada, desde uma herstória [7] escrita em tinta própria. Por quê não nos atrevermos?

 

***

 

*Na verdade o artigo original se chamava “Ética e Bons Costumes”, mas como achei que esse título não seria atrativo para a questão central que aborda e problematiza, além de que poderia levar a confusões, eu estou constando aqui nesta nota de rodapé que mudei deliberadamente. [N.T.]
A tradução foi  livremente adaptada, pois o contexto mexicano é outro, as idéias foram traduzidas para ficarem mais inteligiveis e dialogarem com nosso contexto e momento no feminismo e comunidade lésbica.

 

[1] A autora não usa o termo ‘alienação’ no sentido de consciência alienada, como a pessoa desinformada ou ‘ignorante’, mas no sentido de isolamento, de restrição, de redução a um ‘cantinho’ tímido e silencioso, que o sistema faz com esta comunidade, que termina também por separá-la, assim como quando fala do gueto e antro, é sobre como a estrutura heterossexista consegue nos isolar num cantinho pouco ameaçador, nos enfiando num ‘nicho’ de mercado, em entretenimento, de modo a não incomodar, e como assim também nos afasta do nosso potencial rebelde, pois entretêm essa comunidade oprimida com lazer, entorpece (bebidas, consumo, consumo de corpos), e assim a mantêm distraída e ilusoriamente satisfeita ou contente, também tapando a dor da opressão. O sistema capitalista na verdade faz isso com todas pessoas, trabalhadores, e todas minorias rebeldes, transforma em identidades e provêm produtos específicos. Nisso tá imerso o próprio feminismo entendido agora como um “rolê”, onde você pode até mesmo comprar sua camisetinha, bottom e os eventos políticos são entendidos como entretenimento. O desinteresse de lésbicas por fazer política e a totalidade do tempo ‘livre’ retomado pelo Capital, que nos explora todos os dias e no final de semana ainda lucra com nosso descanso pois resumimos nosso momento de não-escrav@s a consumir produtos, o interesse unicamente de exercício da lesbiandade como sexualidade, a socialização lésbica  e até mesmo feminista em torno de consumo de corpos e rostos bonitos, de saídas para consumir… Não que não seja importante a vivência dos prazeres, da nossa sexualidade, a celebração, os afetos, as amizades, nem a descontração… mas a compulsão pelo prazer consumista e o resumir da lesbiandade a isso, o interesse das lésbicas unicamente em eventos de entretenimento e não de reflexão, é muito obviamente uma assimilação das lésbicas à lógica de mercado, e a retirada da potência criativa e radical, e de vivência de prazeres e socialização por fora da lógica mercantilizadora e da sexualidade lésbika  por fora da sexualidade coisificadora. 

[2] Nota da tradutora: não gosto muito da crítica aos papéis Butch e Femme, acho meio duro com lésbicas, acho que a crítica a relações que não são equilibradas em poder é ok, mas a crítica a estética que adotam eu acho lesbofóbica, até porque não depende de voluntarismo mas sim de programação, de socialização feminina ou resistência a essa socialização, que são ambos processos de sobrevivência num Patriarcado.

[3] Por que não estaria o facebook também ligado a isso, se é uma empresa que lucra com nossa participação nela? Qual o lucro que os empresários do facebook, homens, seu inventor, um homem agressor, possuem, estando hoje milionários, ao fomentar nessa plataforma que foi desenhada pra promover hostilidade horizontal e violência, comas diversas ‘tretas’ (mesmo mecanismo do ‘ibope’ televisivo, quando tem uma treta, mais acessos, mais dinheiro rolando) e agressividade entre feministas, fofocas,difamações, exposições… O que não lucram com a exposição de nossas vidas íntimas, nossas fotos, transformando-as num espetáculo público? Qual interesse dos empresários do facebook em fomentar feminismo e lesbianidade da forma que vemos vendo nessas redes, deforma desconstrutiva, hostil, e assimilar radicalidade à lógica da exposição e das guerras de egos? Enquanto as feministas e lésbicas se destróem entre si, os empresários do facebook estão cada dia mais milionários, e estão ‘pouco se fodendo’ para feministas ou mudanças sociais. [N.T.] 

[4] Este parágrafo parece mais uma crítica ao queer e a logica LGBT de liberalismo sexual, mas que creio que as lésbicas também reproduzem e trouxeram dessa comunidade de algum modo, ao meramente enxergar os espaços de socialização lésbicos como de pegação e essa ansiedade por vivências sexuais compulsivas, que a mim me remete a sexualidade patriarcal por ser uma questão de auto-estima relacionada à quantas conquistas tive, com quem fiquei, como se outras mulheres fossem um troféu. E claro, um consumo de aparência,que leva a reprodução de padrões estéticos racistas, gordofóbicos, elitistas, muitas vezes. [N.T.] 

 [5] Como o estão os espaços lésbicos radicais, que nem espaço para reunião possuem, sendo sempre uma dificuldade encontrar portas abertas às nossas propostas ou um espaço tranquilo sem intromissão constante de homens como nos mostra a experiência de reuniões em espaços abertos ‘públicos’, que na verdade são dominados por machos. [N.T.]

[6] Nome dado ao mercado ‘gay’. O poder de compra de homens gays, interessante pro capitalismo, e o por que da militância LGBT ter um status de hegemonia e as paradas gays tanto financiamento. 

Comentário final: A idéia deste artigo não é ignorar as questões de solidão lésbica que levam a termos que procurar os ambientes de consumo para encontrar iguais, mas de questionar o por quê de não retomarmos em nossas mãos o papel de criar espaços realmente radicalmente rebeldes e lesbikos à ordem patriarcal, já que creio eu que sempre que a lesbiandade é assimilada por essas estruturas opressivas e exploradoras, nos heterossexualizam de algum modo. 
 

Também a idéia não é ignorar que as vidas lésbicas são já muito difíceis e duras e que o único que uma lésbica quer, muitas vezes, é sair tomar uma cerveja, relaxar, ir pra uma festa, coisa que a comentadora deste texto também faz, que muitas lésbicas possuem unicamente um ou dois dias da semana livres que não ocuparia com militância, a idéia é trazer uma reflexão e pensar em como reinventar nossas vidas reconhecendo também que estamos tão programadas pelo capitalismo a sermos mercado consumidor que muitas vezes nem percebemos o quanto isso vem definindo as nossas relações umas com as outras [N.T.]

terra lesbika

terra lesbika

 

A cilada da “Representatividade”. Ou: por uma visibilidade radical e autônoma!

lésbika anti-mídia

lésbica anti-mídia

Vamos pensar sobre “representatividade” x “visibilidade”? O que se entende por isso? Que visibilidade queremos?

Beijo lésbico na novela da Globo favorece as lésbicas ou não passa de mais uma forma de assimilar nossa potência revolucionária e nos tranformar em mais um nicho de mercado pacificado e dado por satisfeito?

O que significa lésbicas numa emissora como a rede Globo, que um dia antes da famosa cena do beijo lésbico na novela, estava cobrindo e propagandeando uma manifestação de direita pedindo, dentre outras coisas, o retorno da ditadura militar? Manifestação esta, por ela e por outros setores da mídia burguesa incentivada?

Sabemos que a direita e conservadores querem ver lésbicas mortas e são portanto, nosso Inimigo. Nosso país se encontra em uma facistização crescente e isso se deve muito ao papel desempenhado pela mídia reacionária, criando um clima conservador no país refletido também nas últimas eleições.

Eu pergunto, é possível fazer um movimento e políticas lésbicas desconectadas das demais realidades? Desconectada de questões como raça e classe? Lutar o heterossexismo sem sermos também anti-capitalistas, anti-racistas, anti-ecocídio, anti-imperialismo, anti-mídia, anti-Estado, é uma luta em vão, pois esses sistemas atacam também as lésbicas. Devemos empreender uma luta radical e consciente.
A mídia burguesa e os governos utilizam da luta LGBT e dão concessões token (figurativas, apenas para dizer que incluem ‘minorias’) de forma oportunista, de maneira a distrair as populações dos massacres que os poucos Machos com poder economico e militar estão promovendo no planeta. A mídia, assim como as religiões, mantêm a dominação mental das populações, garantindo sua obediência e promovendo a internalização da visão do opressor, a ponto de pessoas extremamente precarizadas defenderem o sistema que as explora e oprime. A mídia burguesa, então, promove Falsa Consciência nos oprimidos, destrói sua memória de resistência, faz aceitar a dominação e priva de informação sobre ser dominado. Anestesia a revolta e adequa ao Capital por meio do consumismo e mata a possibilidade de sublevação, de ira coletiva para derrubar tudo isso.

A Globo mostra casal de lésbicas ricas na novela das oito, mas ao mesmo tempo tá atrapalhando revolução e consciência de classe da população por meio de emitir a visão do Capital e do Estado e alienar as mentes. A mídia é também um aparato do Racismo e eu diria que é um aparato policial em si: gera intencionalmente como pede os poderosos, pânico classista na população, principalmente na pequena burguesia de classe média que vai querer proteger seus privilégios e evitar a Guerra de classes, legitimando assim a intervenção militar nas favelas e o genocídio da população negra e pobre e o sistema/tortura prisional pra tentar conter a revolução. Difama a resistência política por meio de chamar os protestos, os ataques a opressores e o ódio de classe de “Vandalismo” e “Terrorismo” para criar pânico na população para com isso, legitimar e aumentar a Repressão Política e instalar em latinoamerica coisas como a lei anti-terrorista, que limita nossas possibilidades de manifestação e organização política, aumentando a vigilância e controle. Se não fosse a Mídia Burguesa não teríamos os panelaços, a facistização crescente, e toda essa reivindicação de retorno da ditadura militar e essa perda de memória histórica.
Além disso, a mídia vai representar quem sempre representa: ricos, brancos. Lésbicas brancas, privilegiadas, magras, femininas, ricas. Não nos interessa!
A lesbiandade representada na TV é produzida pelas mãos dos machos e para os interesses da Supremacia Masculina. Logo, o interesse que subjaz essa suposta presença de lésbicas na mídia é representar a lesbiandade como diversidade sexual pacífica e acomodada na sociedade, uma mera orientação sexual tolerada, um desvio invisível, não-ameaçador aos patriarcas. Vão representar lésbicas brancas, com filhos, casadas, aceitáveis. Vão apresentar imagens de nós como devidamente assimiladas às lógicas do sistema, domesticadas e nós, na nossa carência de pertencimento, por estarmos apartadas de nossa comunidade, raízes e ancestralidade amazônica, vamos comprar essa proposta acreditamos que vamos nos encaixar na normalidade e nesse mundo heterossexual! Mas não. Queremos destruir esse mundo e construir outro!
A lesbiandade é temida porque somos uma afronta à Ordem dos Pais. Nós Lesbicas Radicais estamos orgulhosas de sermos inimigas dos Patriarcas e queremos ser uma ameaça.

manipuladas

massificação heterossexista

A mesma mídia burguesa patriarcal comercializa os corpos das mulheres, por meio de propagandas sexistas que explora e expôe os corpos das mulheres. É uma mídia proxeneta.
Construamos uma Visibilidade que seja a Visibilidade e a Memória da nossa Resistência, que recupere e crie consciência sapatão. Consciência de sermos um projeto radical anti-patriarcado, de que não somos só sexualidade diferente, que somos uma comunidade que resiste ancestralmente.
Podemos nós mesmas criar nossas próprias representações, produzir nossa Mídia Livre autônoma. Criar, propagar nossa revolução e ideias, arte, recuperar e defender nossa Cultura.

Ser lésbica é ser uma rebelde. Façamos jus, pois, à nossa Rebeldia. Sejamos realmente sérias sobre Radicalidade e recusemos qualquer oferta, apropriação ou chantagem do Sistema que nos oprime e à outras espécies e saqueia a Planeta Mãe.

A revolução não será televisionada!

Separatista

Separatista

Caryatis Cardea, 1984

 

o que eu estou pensando

nunca poderá ser perdoado

 

homens

estão destruindo

o mundo

 

irão eles descobrir minha heresia?

e eles destróem

um pouco mais a cada dia

isso não será condenado

 

eu digo para minhas irmãs

homens

estão destruindo

o mundo

 

e minhas irmãs dizem

não são os homens

que fizeram isso tudo

eles não são os únicos a serem culpados

 

é casta e classe

é nação

é religião e raça

e eu digo

quem há criado essas coisas?

não, um é orgânico

emergindo como lava

cada coisa foi planejada cuidadosamente

e executada

 

executada eu digo

mutilada estuprada assassinada

envenenada drogada

enterrada viva

estuprada

 

e minhas irmãs dizem

gênero não é nada

é cultura e o papel das mães

a exploração do trabalho

não são os homens

 

e eu digo para minhas irmãs

eu sei no que eu acredito

que cada crime

tem seu perpetrador

e cada criminoso

tem sua vítima

e eu não falo de leis

escritas por homens

mas de éticas tão cósmicas

elas são feitas da mesma matéria que mantêm

o mundo

em balança

 

e eles

e nós

as mulheres

são violadas

a cada minuto

 

de cada dia

 

ano após ano

 

por séculos

 

e eu digo à minhas irmãs

homens estão destruindo

o mundo

 

e minhas irmãs dizem

coalizão androginia

unidade

todos devemos trabalhar juntos

porque

homens

alguns homens

podem ser destrutivos

mas eles podem ser curados

eles são apenas a última forma

de pequenos meninos

mal treinados

 

em uma cultura

cuja raíz e propósito

nós não iremos nomear

 

e eu digo à minhas irmãs

casta sim e classe e religião

heterossexismo e ódio sim

de gays e judeus e pessoas de cor negra

medo da natureza

animais abatidos e mantidos captivos

 

magia banida

 

e o amor

de mulheres por mulheres

abominado

e criminalizado

 

guerra e as armas de guerra

prisão e as ferramentas de tortura

essas coisas não serão perdoadas

linguagens obliteradas junto à suas culturas

e às vezes suas gentes

radiação e depósitos químicos

terras deixadas estéreis

mentes deixadas estéreis

a fome de milhões

um pré-requisito da Sociedade

a dominação de crianças

uma necessidade do poder

 

a escravidão de mulheres

um desejo profundo e primitivo

 

confinamento intimidação genocídio

esfomeamento estupro tortura incesto terror

dor envenenamento terror estupro

estupro

 

e nós gritamos na noite

e agonizamos durante o dia

quem é que tem feito essas coisas?

 

e eu digo à minhas irmãs

homens estão destruindo o mundo

e minhas irmãs dizem

não

há instituições

crenças e preconceitos

nós devemos lutar para eliminar

nós podemos parar suas instituições

mas nós precisamos não confrontar

justo aqueles que as construíram

e que querem elas

e que lucram com elas

e que amam elas

e reconstróem elas

reconstróem elas

e reconstróem elas sobre nossos corpos

 

mas não

minhas irmãs dizem

não são os

homens

não os homens

não os

homens

 

e eu digo

à minhas irmãs

mas é sim.

 

 

PATRIARCADO É A RAIZ DA GUERRA

sem machos = sem guerras.

(poema publicado no livro “For Lesbians Only – A separatist anthology” de Sarah Lucia Hoagland e Julia Penelope. Tradução livre).

Intervenção Lésbica Radical na Caminhada Lesbitzyxetc… de Sp

POR UM MOVIMENTO AUTÔNOMO DE LÉSBICAS!!
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O que são as lésbicas?
Somos desobedientes à Dominação Masculina. A violência masculina é o maior problema planetário, dizimando espécies e recursos naturais, matando pessoas por meio de guerras e do capitalismo e racismo. Ser lésbica é escapar ao modo de ser ditado para a classe das mulheres, escapar à apropriação masculina.
Porque somos sapatonas?
Porque voltamos nosso amor, nosso desejo, nosso interesse, nossas forças para as mulheres. Ser lésbica é um ato de resistência, não é uma mera ‘preferência sexual’, pois tampouco é a heterossexualidade algo natural. A Heterossexualidade consiste em uma política de exploração e genocídio das mulheres.
Por que as mulheres são heterossexuais?
Porque são treinadas desde que nascem mulheres neste mundo patriarcal, para que sejam exploradas pelos homens por meio do sexo, afetividade e maternidade. Para que nunca possam escapar a sua condição de casta oprimida. Lésbicas rompem com esse processo de heterossexualização/feminização.
Porque deveríamos politizar nossa vivência sapatão?
Porque uma lésbica já é uma feminista/radical em potencial. Mesmo que não conscientemente, as punições (lesbofobia) que recebemos se deve à insubmissão e ameaça que representamos para o Poder dos Homens. Se deve ao potencial radical que cada lésbica carrega nas suas existências que são pura rebeldia, fortalecendo uma cultura e laços de apoio mútuo entre mulheres. Recusamos a feminização enquanto processo de violência obrigatório que cada mulher sofre desde que nasce neste mundo patriarcal.
Por que nos recusamos a fazer parte do movimento GGGG/LGBT? 
Porque esse movimento não serve nem beneficia às lésbicas e nossa luta não é ao lado dos homens gays que também são machistas. Este movimento não procura ser revolucionário mas sim incluir-nos no sistema patriarcal e capitalista e não destruí-lo. Porque acreditamos que essa perspectiva anula a força política que existe na recusa de se relacionar com homens, com a classe opressora, mascarando o fato de que a heterossexualidade é um regime de dominação violento: temos como resultado da política heterossexual/supremacista masculina no mundo estatísticas gritantes de feminicídios, falecimentos por violência doméstica, estupros, abuso sexual infantil, tráfico de mulheres e meninas para fim de exploração sexual, e muitas outras atrocidades pelo mundo. Além disso, lésbicas são punidas por meio do estupro corretivo e assassinadas a cada momento. Estas são provas do ódio da classe masculina pelas mulheres e lésbicas.
Não nos basta sermos integradas a esta sociedade patriarcal capitalista-racista que se sustenta da nossa exploração. Queremos OUTRA realidade e outro modo de vida. Nossa existência é a própria resistência. 
O movimento GGGGAY não serve as lésbicas. Não queremos desaparecer na ‘sopa de letrinhas’ nem dar nosso tempo a homens. LGBT é um movimento dominado pelos machos gays e para beneficiar a estes. Tire o L do LGBT!
A política lésbica é um ataque radical a supremacia masculina. Estão enfraquecendo essa política por meio da sua transformação em mais uma mera diversidade sexual.
Por que um movimento autônomo de lésbicas?
Lésbicas precisam de espaços próprios para fortalecer sua luta e priorizar suas existências. Vamos gerar e multiplicar mais e mais espaços de resistencia lésbicos! Precisamos fortalecer espaços exclusivos e apenas de lésbicas para termos nossas pautas discutidas e criar outro mundo. LÉSBICAS POR E PARA LÉSBICAS! Bissexuais e outras categorias podem se organizar autonomamente em seus próprios espaços. Bissexuais não possuem radicalidade pois se relacionam com a classe opressora. LÉSBICAS EM PRIMEIRO LUGAR!
O que é a lesbiandade radical?
Acreditamos que a lesbiandade é uma estratégia política radical contra a estrutura de opressão que vivemos, já que ela atinge mais diretamente o regime da heterossexualidade. Nós queremos a destruição desse sistema de dominação, não queremos ser aceitas, nem ser toleradas. Escolhemos ser um risco a supremacia masculina, queremos ser uma ameaça.
Por um lesbianismo radical!
JUNTE-SE A ESSA RESISTÊNCIA!
FÚRIA LÉSBICA!
dia 6/6, 12h.
concentração: praça do ciclista, avenida paulista, SP
oficina de confecção de cartazes lésbico-radicais, máscaras combativas, tambores, stencil, feirinha lesboterrorista.
venham compôr a bloca com a gente!

feminismo é sobre a igualdade entre mulheres

Feminismo, para mim, nunca significou a igualdade entre homens e mulheres. Significou e significa a igualdade entre Nós – tornar-se semelhante àquelas mulheres que foram para mulheres, as que viveram pela liberdade das outras, aquelas que morreram por isso; aquelas que lutaram por mulheres e sobreviveram através da força feminina; aquelas que amaram mulheres e que perceberam que, sem a consciência e a convicção de que mulheres são primárias nas vidas umas das outras, nenhuma perspectiva nos é possível. O feminismo heterorrelacional, como o humanismo heterorrelacional, obscurece a necessidade da amizade feminina como um pilar para o feminismo, bem como uma consequência dele.

– Janice Raymond, A Passion for Friends – Toward a philosophy of female affection. Tradução: Carmen de Carvalho.

a lésbica não é mulher

“Lésbica é o único conceito que conheço que está mais além das categorias de sexo (mulher e homem), pois o sujeito designado (lesbiano) não é uma mulher, nem economicamente, nem politicamente, nem ideologicamente. Pois o que faz uma mulher é uma relação social específica com um homem, uma relação que chamamos servidão, uma relação que implica uma obrigação pessoal e física e também econômica (“residência obrigatória”, trabalhos domésticos, deveres conjugais, produção ilimitada de filhos, etc.), uma relação a qual as lésbicas escapam quando rejeitam tornar-se o seguir sendo heterossexuais.
Somos fugitivas de nossa classe, da mesma maneira que os escravos americanos fugitivos o eram quando se escapavam da escravidão e se libertavam.
Para nós esta é uma necessidade absoluta; nossa sobrevivência exige que contribuamos com toda nossa força para destruir a classe das mulheres na qual os homens se apropriam. Isto só pode ser alcançado pela destruição da heterossexualidade como um sistema social baseado na opressão das mulheres pelos homens e que produz a doutrina da diferença entre os sexos para justificar essa opressão.

(Wittig, Monique. (1992). The category of sex. In The straight mind and other essays (pp. 1 -8). New York: Beacon Press.)”

Cuidado! Heterossexualidade pode prejudicar sua saúde!

(por Vanille Fraise – grupo de lésbicas políticas. Suiça, 1981)
Heterossexualidade é normal, é natural… ou pelo menos é o que dizem: vaginite crônica (inflamação dos tecidos da vagina), cistites, infecções no útero e nos trompas de Falópio, esterilidade, agravamento de casos de câncer, maior tendência a desenvolver varizes, sensação de peso nas pernas, inflamação das veias, embolismo pulmonar, hemiplegia (paralisia cerebral que deixa um dos lados do corpo paralisado), problemas de visão, problemas de audição, dores de cabeça, flatulência, ganho de peso, estrias…
Essas são algumas complicações do uso ‘realmente seguro’ de contraceptivos criados por homens pesquisadores para que tenham suas parceiras disponíveis a eles 30 dias de 30.
Por outro lado, há as complicações causadas pela gravidez indesejada: aborto e seus efeitos posteriores, (risco de infecção ou hemorragias…), ansiedade, vômito, nascimento prematuro, depressão pós-parto, etc. Também há complicações devido a sofrer várias gestações: anemia, desmineralização, enurese (micção involuntária), prolapsos (quando órgãos “caem”, “saem do lugar”. ex: prolapso uterino)… e também vale mencionar, há a vaginite, frigidez, e a psicologicamente sugadora menopausa.
Todas essas doenças são, em menor ou maior nível, consequências da heterossexualidade; todas são usadas para nos fazer acreditar que nós mulheres somos mais frágeis, mais frequentemente doentes. A prática de heterossexualidade, quase compulsória, serviu muito bem para a medicalização do corpo da mulher pelos homens médicos e pesquisadores.
O período entre os 20 e os 40 anos é o período primordial no qual as mulheres deveriam ficar o menos doente. No entanto, é durante esse mesmo período que as despesas médicas das mulheres aumentam. E a maioria dessas despesas é devido à heterossexualidade.
Você nunca pensou nisso?  e ainda assim….
[Esse panfleto foi distribuído durante uma demonstração organizada dos partidos da esquerda para protestar contra os custos de saúde, que aconteceu em Geneva, na Suíça, no dia 9 de novembro de 1981. Foi reimpresso posteriormente em Clit 007]

as questões feministas não são questões de lésbicas

texto de monique wittig, traduzido por uma companheira.

monique wittig e outras lésbicas radicais foram expulsas da revista materialista feminista francesa, questiones feministes (questões feministas). o artigo é uma crítica ao que ela entende como uma tendência heterocentrada no movimento de mulheres francês e uma brincadeira com o nome da revista.
como o scan tinha problemas, a tradução tá com lacunas. Parece-se um pouco como a ler Safo. Em breve tentaremos disponibilizar o texto na íntegra.

(pdf) As questões feministas não são questões lésbicas

pensamentos sobre lesbofobia

Lesbofobia por parte de mulheres/feministas não passa de uma forma específica de misoginia do colonizado. Afinal a lesbofobia/ódio às lésbicas é uma forma de misoginia especial, serve à heterossexualidade compulsória e a mantêm, mantêm as mulheres na linha, ligadas à classe masculina. Tudo que indica separação dos machos é atribuído às lésbicas e tudo que é relacionado a possibilidade do separatismo e ao lesbianismo é visto como demasiado radical e extremo, demasiado ameaçador pro estatus quo, pra zona de conforto. O pensamento radical lésbico é então, demonizado e as lésbicas feministas queimadas na fogueira da misoginia, porque é ‘revolução demais’, é ir longe demais… isso não é permitido pro povo colonizado que são as mulheres. O pensamento lésbico representa então uma ameaça às bases do patriarcado, a heterossexualidade, logo a lesbofobia é uma forma de misoginia e de dominação sobre as mulheres para não permitir sair do cerco da heterossexualidade compulsória e as doutrinas perpetuadoras da sua ordem.

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a palavra lésbica pro queer e pro anarquismo/lésbicas anarquistas ou queer é nojenta. todo o tempo tentando apagar essa palavra, com queer, com masculinidades femininas, com o que for no lugar, podem se chamar de tudo menos de lésbicas. Essa palavra é mal vinda em todo lugar, até mesmo dentro do ‘feminismo’. ideologias profundamente lesbofóbicas e anti-lésbicas. sempre se colocando também contra relações profundas entre duas mulheres e patologizando como se fossem ‘monogamia’, ‘dependência’ e ‘feminilidade’, ‘possessividade’. Definitivamente as pessoas precisam entender que a realidade lésbica necessita uma epistemologia, análises, próprias, não podem importar da análise das relações heterossexuais. O contexto das relações e até mesmo das violências que se dão entre lésbicas está permeada pelo contexto lesbofóbico, tudo temos que ler tendo em mente a lesbofobia, até os supostos ‘ciúmes’ (insegurança num mundo de relações instáveis, de abandono familiar, de ataques a suas relações, de ser deixadas por lesbofobia internalizada, etc), isso não é pra desresponsabilizar, mas pra poder acolher esses casos todos sem reproduzir mais violencia lesbofobica contra essas sujeitas. E definitivamente: escrachos e difamações de lésbicas por terem tido relações difíceis e conturbadas (etiquetadas por autoridades morais cristãs do ‘feminismo’ – que as vezes está mais pra um movimento pela feminilidade – como relações ‘violentas’) é pura expressão de lesbofobia e ódio à lésbicas. Sempre a lesbofobia escondida das pessoas encontra um meio de se manifestar e aí nessas situações vem a tona, as grandes vontades de jogarem pedras nas sapatões. Como se fosse fácil pra estas construir modelos saudáveis num contexto de tanto ódio e ódio internalizado.
Meu compromisso é com as lésbicas.

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também: é lesbofobia idealizar as relações e realidade lésbica, e colocá-las de forma objetificada e fetichista como ocorre no lesbianismo político. é uma lesbianidade definida e colocada para o ‘het gaze’ para o olhar heterossexual, e não definida pelas mesmas, é uma lesbianidade fora de si mesma, definida por outras. é lesbofóbico idealizar e colocar tantas expectativas na lesbianidade e depois se voltar contra lésbicas porque não foram o paraíso idílico que estava posto pelo lesbianismo político ou por sua imaginação, como abrigos da supremacia masculina. sim que são abrigos no mais das vezes, mas essa existência e esses vínculos entre lésbicas e mulheres são fortemente atacados pelo patriarcado por representar uma ameaça direta a este, então logo é esperar demais de uma comunidade que sobrevive contra mil dificuldades, seria estranho se todas lésbicas estivessem bem, se não reproduzissem violências traumáticas deixadas pelo agressor, se não tivessem suas mentes conturbadas pelo contexto de violência em que vivem.

as lésbicas tem que ser obrigadas eternamente a performar e provar pro mundo suas relações, as relações lésbicas tem que ser perfeitas, tem que simbolizar tudo de ‘lindo e fofo’, ‘cor de rosa’ que se supoe que deveria ser as relações entre ‘mulheres’. Já que mulher né, é o sonho de feminilidade, bondade e doçura, assim deviam ser as lésbicas e suas relações. Aì quando as feministas encontram sapas feias, gordas, peludas e agressivas, bravas, elas detestam! E acusam a gente de ferir o feminsimo ou a imagem da lesbianidade!
Eu não tenho que provar nada para a heterorrealidade! Nos deixem com nossos problemas! Sâo séculos de massacre estamos tentando encontrar soluções e nos curar! E aceite: sem sua ajuda! Sem mais colonizador*s!

Saudações humanas…

“Bem -vindas …………… .

Sabe, eu sou lésbica há 30 anos. Eu me assumi quando tinha 21 anos, e em uma semana faço 51.

Vocês sabem do que a comunidade lésbica precisa?

Nós precisamos de um fórum cultural. Nós precisamos de um lugar na natureza, onde possamos ir e fazer o que fazemos melhor, que é celebrar a Mãe, celebrar umas as outras, amar umas as outras, falar de nossas vaginas, falar de nosso sangue, falar de nossas crianças, falar de nossas netas/os, falar da Mãe Terra, falar sobre consciência lésbica. E nos juntarmos e usar nosso poder enquanto mulheres para avançar nossa causa e nossa jornada.

Nós estivemos tão presas nessa conversa de identidade de gênero, e quem é realmente mulher, quem pode ser mulher e quem… Sabe, nós tivemos que lutar e gastamos muito tempo pontuando/dizendo algo que não tem como ser pontuado.

Por que deveríamos considerar tanto questões sobre identidade sexual, de gênero, masculina? ..Num momento em que nossos restaurantes estão sendo fechados, as estruturas educacionais que construímos, nossas organizações,…

Isso não é progresso. Quando a cultura e a identidade lésbica estão sendo diminuídas e nós não podemos dizer que somos mulheres, nós não podemos celebrar nossos seios, nossas vaginas, nosso sangue e nós estamos sendo barradas/excluidas na mídia, nas nossas comunidades. Isso é opressão.

Então o que pessoas oprimidas fazem? Não se dá a eles essa atenção, o que fazemos é dar a nós nossa atenção, dar às nossas causas nossa atenção, dar a nossa sexualidade nossa atenção, dar nosso cuidado.. Nós estamos ficando velhas, algumas estão tendo bebês, sabe, estamos em diferentes fases da nossa vida. Somos masculinas, somos femininas, somos andróginas, somos muitas coisas, mas somos mulheres e somos lésbicas e precisamos nos juntar. Temos que perceber o tempo nesse planeta, a divindade está nos chamando, a Mãe está nos chamando, esse planeta está em perigo, está sob o patriarcado e misógina há tanto tempo que estamos programas a brigar de uma forma.. Nós não… Nós temos uma inteligência entre mulheres e lésbicas que é muito mais abrangente do que o que esse planeta tem nos oferecer nesse momento. E eu imploro a nós mulheres que nos juntemos, usemos nossa babailá, nossa bruxaria, nossa ioruba, nossa medicina ancestral. Para que nós passamos fazer por nós o que sabemos que deve ser feito. É tempo pra isso. Esta na hora de todas as mulheres que amam mulheres se juntarem e dizerem a verdade sobre quem somos. ”

pippa fleming